Custa assim tanto ver o próximo?!!!!

O meu maior medo é mesmo a SOLIDÃO!!! Claro que sabe bem estar sozinha, estar momentos só comigo mesma... mas falo da solidão humana! De ser velha, ou chegar a uma altura da minha vida e não ter ninguém a quem faça falta, chegar a um momento que seja indiferente a minha presença, isso é mesmo o meu maior medo...
Eu tenho noção que o ser humano é muito, muito egoísta, mas mesmo assim hoje tive de sofocar o choro que me doeu na alma!
O que fazer quando nos deparamos com um casal de idosos "abandonados" nas cadeiras da sala de espera de um hospital? Pior... o que se faz quando perguntamos a alguém se precisa de ajuda e simplesmente a pessoa não responde porque não consegue conter o sofriento ou a vergonha ou mesmo a admiração de alguém se preocupar consigo depois de tanta gente olhar e não a ver??!Pois...
Hoje vi, senti a pequenez do ser humano, o desespero de quem no silêncio pede ajuda... e fiquei desarmada, quando um senhor que não me conhece chora à minha frente  porque eu pergunto " quer ajuda, precisa que chame alguém para ver a sua esposa?"... isto é assim tão descabido, alguém se preocupar com o próximo?!!!! Deve ser, porque numa sala cheia, mesmo a abarrotar,  só duas pessoas conseguiram não tropeçar e ver um casal de idosos perdidos na solidão!!!
É isto que me assusta!!

Mulheres da minha Vida (vários capítulos) - Cunhada, Sister...

               Quem eu mais amo na minha familia são sem dúvida as várias mulheres que dela fazem parte, nomeadamente a minha avó que tantas vezes já falei, de quem eu acho que adequeri a frontalidade, a minha mãe claro... que me ensinou todos os valores que tenho, que me deixou ser eu, mesmo quando era contra, a minha tia Bete, que tinha o dom da palavra certa no tempo certo, e por fim... Cunhada Cármen, a minha irmã de coração com que aprendi muitos nestes 11/12 anos de vivência.

              Como com todas as mulheres importantes na minha vida, no meu percurso, também my sister teve um papel fundamental na minha contrução de mulher. Talvez ela não saiba o quanto contribuiu no meu crescimento, no meu desenvolvimento como indivíduo, como muitas vezes foi uma luz em caminhos mais escuros e tumultuosos que escolhi; e como tantas vezes quis ser como ela!!
               Talvez já  te devesse ter mostrado mais cedo o quão és importante para mim, é o quanto te amo; e nem sei bem o porquê do ser agora... mas senti que agora é que te queria mesmo, mesmo dizer... que TE AMO!
               Mesmo quando gritámos, discutimos, ou chorámos... mesmo agora quando discordamos (oh tanta vez eh eh) o nosso amor está lá, o nosso ser verdadeiro está lá... não temos medo de sermos nós de nos magoarmos, até de nos ferir por vezes, não tenho medo porque sei que estás lá sempre, porque sei que não é por acaso mas sim porque te peocupas...e por isso OBRIGADA.
             O Adelino Martins até podia ter uma mulher que fosse menos agitada ou  uma master na cozinha mas devia ser uma seca!!! Vocês complectam-se e são um do outro por inteiro e isso é o que importa... eu antes não entendia isso, mas hoje percebo que a felicidade do meu irmão passa por ter a mulher furação que és ao lado dele!!!
               Obrigada por existires na minha vida!

Os sentimentos não têm Tempo

Cada época tem dificuldades, objectivos e maneiras distintas de se viver, estar e até sonhar...só mesmo o sentir é na realidade o único sentimento resistente ao tempo.
Nesta nossa época a dificuldade é pagar os 50 empréstimos que se têm para as 500 coisas que se querem em casa: os Lcds, o móvel XPTO, a Bimbi, a Playstasion, o carro... dizemos que estamos mal, mas felizmente temos (regra geral) a dispensa com comida mais que suficiente,  temos café, chocolate e chás, temos queijo fiambre... pensam " possa, mas isso é o essencial"!!! - é verdade o essencial!

E dá-me graça...

Noutras épocas não haviam as coisas todas que nos ajudam no dia,a dia (todo o tipo de maquinetas), não havia subsidios aos pontapés, não se comia mais que o suficiente e houve durante anos o fantasma de ir parar a África...

Isto tudo para chegar ao tempo dos meus avós... Anos 30/40

Eu falei do sentir e porquê? Porque a injustiça, a falta de respeito pelo próximo, a indiferênça, a mágoa, todos estes sentimentos são intemporais, doem sempre da mesma maneira!

O meu avô Camilo conta repetidas vezes as suas histórias fabulosas de rapaz, e mais algumas ainda de criança, e estas de criança que para muitos é mais uma história, mais uma repetição; para mim é mais uma vez a lembrança de uma mágoa imensa que em mais de 70 anos não passa...é mais uma chamada de atenção para que desta vez se oiça a injustiça que se foi alvo, é mais um grito sofocado em criança; de criança adulta que não teve direito a quase nada... a não ser frio, falta de amor, e quase fome!Porquê? Eram tempos dificeis? Sim...mas não para todos!

O meu avô António fala muitas vezes também quando foi preso sem ter culpa, sem se poder defender, privado de ver nascer a primeira filha, enfim...hoje com 93 anos ainda chora cada vez que se lembra dos 65 que se separam dessa época!

E toda esta repetição é não mais um grito surdo de gente que não podia, nem se atrevia a constestar as suas vidas, era assim... não havia mais nada!

Hoje sobra-lhes o lamento, alguma tristeza, um conforto por parte dos mais novos com um abraço, um beijo,mas... a nossa dor, morre connosco, não passa...

amante, amor, amada

Porque tenho várias mulheres dentro de mim que querem muito falar, espernear, gritar e diabo a sete... vi-me obrigada a dar-lhes um lugar só delas em que sou amante, amor, amada.

Esta terra que piso será sitio de reflexão, descontetamento, alegrias... um pouco de tudo, o lugar das mulheres que estão em  mim é mesmo para os seus próprios desabafos e confidências!

choro-te, esqueço...

tanto tempo absorvido
neste teu doce amar
para depois o ver perdido
num simples gesto... num olhar!

                                      
                                      
sei que não te posso ter
mas o teu amor, esse já é meu
e por mais que faça doer, esta força  de te querer
é a mais dorida que o meu peito te deu!

afasto-me de mim
deixo-me adormecer
na noite embalo-me no frio 
choro-te, esqueço,deixo-te  morrer! 

somos feitos de rituais


Morte, ritual, dor, choro e já está...
É sempre assim quando se trata do fim da vida humana

Eu fui a um funeral (felizmente só o  2º na minha vida), e foi uma mistura de sentimentos estranhos. Não era uma pessoa chegada, o que me facilitou a tarefa, mas o ter familiares chorosos, e ver gente tão triste sempre pesa. Mas o que me "assustou" é o ritual... vai tudo a seguir a carreta, 2 ou 3 choram muito e outros vão numa tremenda cavaqueira, fala-se dos vizinhos, encontra-se gente que não se vê há muito tempo, ri-se um pouco e pronto chega-se ao pé do buraco. Eu própria ia a deslumbrar a rua de jazigos em que estavamos a passar, parece um gosto obscuro, mas de facto todos aqueles edificios são mesmo bonitos exemplares de arquitétura, e continuava a falar com o meu marido quando sentimos  uma vontade imensa de rir (o que é normal em nós nestas situações vai-se saber lá porquê minha nossa!!) quando nos lembramos de uma história da minha avó fechada num jazigo que andava a limpar!!

Ora lá continuamos a caminhada e paramos porque o outro corpo ainda não estava enterrado, e mais um bocado de conversa; desta feita com um neto da defunta, a quem tive de dar os parabéns por ser pai e os sentimentos por lhe morrer a avó... bizarro!!!Mas pronto mostrou-me as fotos do rebento e lá continuamos!!
Abre-se a urna... chouro alto, e um pouco de drama claro está!! O neto já se esqueceu do filhote que me mostrou há segundos e chora. A urna vai para o buraco e toda a terra e calhaus tapam para sempre aquele humano, e uma senhora desabafa " que terra tão pesada tu levas em cima, deus nosso senhor te a ponha leve".Seguem-se os últmos pêsamos e alguém remata " pronto e já está, lá fica mais uma".
Por mais que se saiba que todos teremos aquele fim nada se faz a pensar que vamos também para aquele buraco, senão não iamos naquela descontracção a seguir um morto e a pensar... coitado!!


Eu até percebo que tem de ser mesmo assim senão provávelmente não veriamos lógica em  cá andar ( por isso é que my sister acha um desperdicio morrermos... começo a concordar com ela eh eh)
E cada vez mais chego à conclusão que o ser humano é feito de rituais... este ainda não o tinha feito com idade ou lucidez suficiente para perceber todo este desligamento do ser humano sobre o seu próprio fim!!

(é mesmo como o poema do Álvaro de Campo Se te Queres Matar )